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Podcast e réplicas por Mari e Thiago.
Comentários por Dimas.

Claudio Celestino - ou Dimas - é curitibano, vegetariano e hiperativo. Suspenso nas alturas, comanda com alguns parceiros a Interlux, entre latas de tintas, telas, sprays e pensamentos flutuantes. Já em terra firme, ataca na produção de eventos culturais, bicicletadas, jardinagens libertárias e outras benfeitorias. Parceiro ponta-firme para manhãs de sol na feira ou tardes criativas com muito papo, não costuma negar viagens - ainda que o destino seja cinzento como São Paulo. Foi, inclusive, em uma de suas passagens pela capital que adquiriu, pelo garbo e elegância, a faixa de hóspede honorário do meu [da Mari] apartamento.

1. Gogol Bordello - Bublitschki

D.Elegante. Dá vontade de roubar um vinho bom no supermercado! Mas essa marcação repetida fica meio cansativa, gosto de umas batidas mais quebradas. Mas isso é bem pessoal e não tira mérito algum. Um salve para a latinidade!

M. Salve! Mas, ao contrário de você, não me incomodo tanto com essa marcação repetida, acho até bem divertida. Rola um clima de marcha, cavalos, roupas coloridíssimas e com muito ornamento. E sabe como é, alguns excessos podem ser um charme.

T. É, por incrível que apreça, vou ter que concordar com a Mari. Tem uma marcação sobre a qual rolam vários sons divertidos e agradáveis - inclusive flauta! Suave e faz dançar. Não entendi esse assunto de elegância, mas concordo.

2. Leningrad - Zvezda Rok-n-Rolla

D. Gosto da maneira como vcs montam as seqüências - acho que já mencionei isso nas minhas rasgações de seda por aqui. Na primeira vez que ouvi esse som achei bem louco, depois nem tanto. Mas mesmo assim já aviso que vou incluir essa faixa na minha lista de discotecagem de "sopros e metais". Party up! O sol brilha pra todos! Até pra esses branquelos aí! Um prato exótico.

M. Acho essa música absurdamente engraçada, talvez pelo fato de não entender lhufas do que falam. Sei lá, fico mais atenta a como soam as palavras e em todas as tragetórias que a melodia faz para acompanhar esses sons desengonçados. Impossível conter o sorrisinho quando o vocalista solta o "rrroquenrrrollaaa". Realmente um prato exótico, cheio de cores quentes.

T. Pra quem reparou no texto de apresentação deste site, eu sou meio fresco quando o assunto é comida. Passo o prato exótico e vou jantar direto com a rainha.

3. The Good, the Bad & the Queen - History Song

D.O nome da banda já causou uma expectativa. Escutei, pirei, e quando descobri "quem" é a banda a simpatia se transformou em reverência. A música já começa com tudo! E te conduz em "transe" até o fim! Essa voz.. Esse teclado.. Essas cordas! Algo "comportadamente inquieto". Puta que pariu, até a capa do disco é foda! O show então, deve ser sinistro, desses em que se fica naquele êxtase sensorial. Se um dia isso acontecer no Brasil, quero ir como vocês.

M. E, se for conosco, você paga os ingressos?

T. Ele não disse "com vocês", Mari. Ele disse "como vocês". São coisas diferentes, mas conciliáveis. Se ele pagar, pode ir COMa gente, desde que vá COMO a gente. E como eu vou de Bom e você de Má, sobra pra ele ir de Rainha. Topa?

4. Midlake - Roscoe

D. Essa sim, fez alguma diferença na minha vida! A preferida! A maneira calma e ligeiramente melancólica como tudo acontece me deu uns arrepios da primeira que em que escutei. Me fez lembrar aqueles momentos em que se poderia ter dito alguma coisa, mas que simplesmente não foi dita... Sensível, em uma palavra. Acho que uma certa melancolia deixa tudo mais charmoso. E eles acertaram a pegada! Baixei tudo o que encontrei e gostei de tudo o que ouvi deles desde então, e devo lhes agradecer pela escolha bem sucedida!

M. Linda música, baixo elegante, vocal gostosinho e melancolia na dose certa. Logo se vê que o antigo plano do Thiago de mudar a vida das pessoas através das músicas que gosta têm dado certo.

T. Ei, eu nem sabia que eu tinha esse plano! Se tá dando certo, finalmente vou poder parar de falar por aí que nenhum plano meu nunca deu certo. Viva! E já que estou orgulhoso, deixem-me me orgulhar de minha escolha: Midlake, Roscoe - puta som. Repare, Mari, que implicitamente ele disse que suas escolhas não fizeram nenhuma diferença na vida dele. 1x0.

5. Shout Out Louds - 100 degrees

D. Mari! Isso é sua cara! Haha! A voz agradável, bem pronunciada! Esses barulhinhos alegres dão o clima pra essas guitarras enlouquecidas acabarem com a paz dos vizinhos! Não dá pra ouvir isso num volume baixo, e minha irmã já gritou dizendo pra parar com essa zueira! Aposto que eles fumam compulsivamente e tomam suco em copões coloridos iluminados pelo sol da tarde de alguma metrópole cinzenta. Alguma coisa aconteceu, vou pegar minha bike e aproveitar esse sol! Obrigado, até mais!

M. Oum. Imagina, volte sempre.

T. Em tempo: a escolha foi minha (2x0).

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Podcast e réplicas por Mari.
Comentários por Thiago.

1. Barry Louis Polisar - All I Want is You.

T. Essa pegadinha country não me agrada muito não. Muito caipira. Sem contar que essas metáforas de amor são bem bobinhas - por mais que se diga que esta é a intenção. Até no título tem algo questionável: "Tudo o que eu quero é você" - Será que não tem mais nada que o cara quer? Também acho que um grande amor tem que ser mais específico que esse tipo de música que serve pra qualquer amante em abstrato - e pra nenhum em concreto.

M. Sim, concordo, metáforas bobinhas e título questionável, mas há explicação: Barry Louis Polisar é um tiozão que compõe músicas pra criancinhas, além de escrever livros e poemas infantis. E ele deve querer muito mais coisa do que o título da música sugere, é só dar uma olhada no currículo do cara: são dele as músicas daquele seriado super antigo chamado Vila Sésamo, trabalha com grupos de literatura, especialistas de mídia e professores. Ganhou, inclusive, prêmios por sua habilidade de se comunicar com crianças e estimulá-las a ler mais. Um bom sujeito, e com senso de humor comprovado. Saca só alguns dos títulos do seus CDs: "Stanley Stole My Shoelace and Rubbed it in His Armpit and Other Songs My Parents Won't Let Me Sing" e "My Brother Thinks He's a Banana and other Provocative Songs for Kids".

2. The Moldy Peaches - Anyone Else But You

T. Agora sim! Quer ser fofo, seja intimista, como os Moldy Peaches. Tão intimista que ninguém liga se a música foi feita em casa, gravada no Meu Primeiro Gradiente. E pensar que um dia eu te disse: "Escuta essa banda... não, desencana, tu não vai gostar, é muito tosco".

M. Ainda bem que, como na maioria das vezes, não te dei ouvidos e escutei mesmo assim. Se é pra ser tosco, que sejam os Moldy Peaches.

3. Kimya Dawson - Tire Swing

T. Prefiro sinceramente a Kimya no Moldy Peaches. Aqui acho que falta um charmezinho de coisa rústica, ainda que soe bem despretenciosa.

M. Kimya Dawson é uma gracinha mesmo sozinha e acho que todo o charme de coisa rústica fica por conta da trivialidade de suas letras: " Joey never met a bike that he didn't wanna ride and I never met a Toby that I didn't like". Tem como ser mais bonitinho?

4. Cat Power - Sea of Love

T. Aqui sim um mar de amor digno de um amor de verdade (em contraste com a primeira música). Mas vamos direto ao ponto. Eu amo Cat Power. Você odeia. Você está querendo me pedir algum favor ao sugerir esta música?

M. Tá, você ama Cat Power, foi ao show com a perna quebrada e se sacudiu com ajuda das muletas. E não é que eu odeie, só não consegui entender a razão pra tanto esforço. De todo modo, guarde seu favor para um momento mais propício - tudo o que eu queria com essa música era provar que Cat Power só consegue ser legal de verdade quando canta uma música que não é dela.

5. The Zombies - The Way I Feel Inside

T. À parte da simpatia da voz, quero dizer que gosto muito do orgãozinho de fundo, que dá todo o tom de confissão que a música pretende (e consegue) criar. "Muito dez", como diriam meus pais querendo ironizar as expressões dos jovens de hoje. Lógico que jovens interessantes como nós não usam essas expressões; e por falar em jovens interessantes, você, Mariana Casalecchi, é a exceção à regra de que todas as pessoas interessantes gostam de "A vida marinha com Steve Zissou" (filme de cuja trilha sonora saiu esta música). Lamentável.

M. Não, não, Thiago Fonseca. Todas as pessoas interessantes gostam de "Os Excêntricos Tennenbaums" e "Viagem a Darjeeling" e concordam que, sendo um filme do Wes Anderson, Vida Marinha deixa muito a desejar. Consegue, no máximo, emplacar músicas bonitas como essa que, por sorte, não foram assassinadas pelo repertório-Seu-Jorge.

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Podcast e réplicas por Thiago.
Comentários por Mari.

1. I'm from Barcelona - Oversleeping

M. Começa com o barulho do despertador. Você acorda sem precisar ir para o trabalho e então decide que vai fazer tudo o que mais gosta bem devagarinho, só pra durar mais. Desce as escadas (pq sim, nessa música você vive em uma casa com escadas) vai pra cozinha, prepara seu café com torradas, acaricia seu cachorro com os pés enquanto olha para o sol e imagina: pq não uma voltinha? Se veste, calça seus patins e se despede com um impulso.

T. É, essa música tem todo esse clima de "foda-se o trabalho, vou curtir a vida". Fico imaginando as pessoas que têm um trabalho legal, elas nunca conheceram essa sensação. Tadinhas.

2. Of Montreal - My friend will be me

M. Of Montreal é, definitivamente, minha nova banda preferida. São mágicos, doces e absolutamente improváveis....repare que nessa canção, por exemplo, tocam um ser-humano como instrumento de cordas vocais para compor a melodia.

T. Olha, eu não sou dessas pessoas que de tempos em tempos escolhem uma banda preferida. Sou daquelas que, de ano em ano, escolhem o melhor disco do ano passado. Em 2007, Of Montreal ganhou fácil com o "Hissing Fauna, are you the destroyer". Eu estava querendo falar isso neste site faz um tempo. Esta música aqui, todavia, não é deste disco, mas do "The Gay Parade", bem mais antigo.

3. Paulinho da Viola - Foi um rio que passou em minha vida

M. Linda transição, bobalhão....e não é que encaixou direitinho? Paulinho da Viola é camarada, faz música gostosa com pandeiro, cuíca e tudo mais que um bom samba tem direito. 10 para o quesito harmonia, 8 para letra e melodia, 9,5 para evolução. Sabia que você não sairia imune do Carnaval.

T. Faz tempo também que eu queria arriscar essa passagem num pod. E, justamente por isso, não foi o carnaval que me fez escolhê-la: aliás, ela é boa o ano inteiro. Tanto saí imune do carnaval que sugeri essa música antes e publiquei depois. O carnaval passou batido.

4. Broken Social Scene - 7/4 (Shoreline)

M. Essa é bacana, faz dançar, tem o vocal empolgante em alguns momentos e refrão bonitinho. A única coisa que pega mesmo é essa mistura over de elementos e instrumentos - faz com que a música incomode, e vire barulho.

T. Eu gosto bastante. Tem uma introdução que poderia ser feita pela Gisele Quer Morrer (minha banda) em seus dias ideais. A música pode ter um pouco de excessos, mas não diria que vira barulho. Broken Social Scene é uma banda pra acompanharmos de perto, os caras são bons.

5. Vampire Weekend - Campus

M. Essa música deveria ter sido escolhida como trilha sonora da última temporada de Dawson's Creek, quando toda a rapaziada do elenco já estava na faculdade (com excessão do Pacey, que preferiu passar esses anos trabalhando em um barco) e todas aquelas mesmas historinhas de amor aconteciam, mas com cenários e pares diferentes. Curti, é fofa e me fez pensar em grandes espaços gramados.

T. Não consigo imaginar uma referência a Dawson's Creek como sendo elogio, nem a repetição das "mesmas historinhas de amor" como algo positivo. Vou me concentrar na questão dos espaços gramados: é porque a música se chama Campus, certo? Também tenho essa boa sensação. Tem lugar mais agradável que a Cidade Universitária? Remete aos bons tempos de faculdade, que não tiveram nada a ver com a vida do Dawson ou a do Pacey.

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Podcast e réplicas por Mari e Thiago.
Comentários por Natália.

NATÁLIA BROD é madrinha de João Brod, que é afilhado de Thiago Fonseca e filho de Rodrigo Brod (que já foi convidado deste programa), que por sua vez é tio de Natália Brod. Toca piano, violino e violão sem pestana, e não tem banda grunge por ser uma garota delicada - apesar de adorar o uso de exclamações. Define seu gosto musical como semi-ruim. Passou o último ano acorrentada num calabouço em Brasília estudando para o vestibular de Medicina. Passou na Santa Casa de Porto Alegre. Parabéns, guria.

1. Belle & Sebastian - Stay loose

N.Eu gostei mais da letra do que da música em si. Não que eu não tenha gostado da música... só achei enjoadinha. Da primeira vez que eu escutei, gostei da introdução. O sotaque dele é legal. O melhor da música está entre 5:15 e 5:38.

T. Eu não prestei atenção na letra, nem fui atrás dela na internet. Não sou muito fã de Belle & Sebastian. Antes dos 5:15, já to pulando de faixa, normalmente. Mas não faço isso com as músicas deste pod que a Mari me faz ouvir. Às vezes (não é este o caso) é uma tortura.

M. A introdução é uma gracinha - adorei o enjoadinha - e esses teclados me lembram muito aqueles bailes de antigamente, geralmente embalados por um órgão eletrônico e um cantor picareta. Até andava com um pouco de bode de Belle&Sebastian, mas essa música me relembrou de que, poxa, belle&sebastian é legall! Adoro a felicidade "aos pouquinhos" que a melodia sugere e esse monte de perguntas lançadas ao longo da letra. Quanto à melhor parte estar entre 5:15 e 5:38, não sei se concordo. Fico com o que se passa entre 2:07 e 2:27.

2. The Polyphonic Spree - Hold me now

N. Essa foi a minha preferida!
Achei essa música muito simpática! O cilpe é uma graça! Os arranjos são muito legais. A música é toda muito bem preenchida. Parece que tudo foi feito com o maior cuidado pra tudo se encaixar. E não deve ser fácil ajeitar tudo isso numa banda com tanta gente. Pelo menos eu acho que não.

T. Essa é uma das minhas preferidas deles. Lembrei dela esses dias, quando ela tocou no rádio e, pelos primeiros segundos, eu achei que fosse "Your mother should know", dos Beatles. Não lembra?

M. Não, não me lembrou. E também não achei essa música super. Sei lá, fiquei com um pouco de receio, culpa da melodia que sobe e desce, vai e volta. Claro que o corinho "hold me now" aparece na hora certa, pronto pra me resgatar. Mas então, já lá encima, solta minha mão e me deixa cair de novo. Gosto da banda, a canção tem seus momentos mas, pra contrariar, elegeria Have a Day/ Celebratory como minha preferida.

3. Elastica - Nothing stays the same

N.A Justine teve um caso com Damon Albarn. E a banda dos dois está no pod essa semana! Foi de propósito? Essa música me lembra a época que eu via MTV na década de 90 e achava tudo muito estranho...o Thunderbird é de quem mais me lembro. Eu era muito nova, mas escutando a música tive a mesma impressão que tive naquela época. Não achei ruim. Só estranha! Mas estranha de um jeito bom até!

T. Eu já tinha reparado nessa coincidência Justine & Damon (um dos casais mais legais dos anos 90), mas não foi de propósito não. Não sei se é uma música estranha - mas pra mim, tem uma peculiaridade: é que a letra parece mais de um poema que de uma música. Quem puder, confira.

M. Já minha impressão é que as elásticas optaram pelo minimalismo absoluto nessa música: poucos intrumentos, efeitos controlados e voz de quem está batendo um papo mais chegado. É estranha talvez, por ser tão confidencial. Assim, como um poema.

4. The Breeders - Wicked little town

N. Eu gostei dessa! Achei tristinha, mas gostei. Tem cara de dia de chuva. A segunda voz é ótima!

T. É, é meio isso. dia de chuva, garoa... Essa "wicked little town" deve ser São Paulo. Eu até já comentei isso pra Mari (porque a gente não faz o Roupa Suja só profissionalmente, a gente fica trocando comentário de músicas na vida real também).

M. Ouié. E para provar que brincamos também fora do serviço e que a informação liberada pelo Fonseca procede, vasculhei minha caixa de entrada e eis o referido email (enviado em 27/07/2007 precisamente às 18:45): "essa é uma música sobre são paulo, não há dúvida. são paulo é uma cidadezinha bizarra. realmente uma cidadezinha, com a peculiaridade de ser enorme, quase infinita. tenho essa convicção desde que passei a morar no centro. não se ouve essa música em santos ou em araraquara. ela tem uma angustiazinha de isolamento bem paulistana. mas não é só isso. tem uma ternurinha também. não há dúvida. uma e outra não se excluem. os diminutivos estão aí porque ela é bonitinha, gostosinha". Bem lembrado, Sr. do Cabelo. E depois ainda implicam com a minha mania de guardar velharias.

5. Blur - The universal

N. Eu gostei muito, muito mesmo, do começo da música. Gostei da música toda até, mas o começo é maravilhoso. Foi a minha segunda favorita. Eu ganhei um cd do blur quando tinha 16 anos, mas nunca tinha dado muita atenção. Depois dessa música, eu acho que eu vou escutar com mais boa vontade o cd.

M. Pananapã panana nana nana e então o mundo passa a girar, as flores desabrocham, sorrisos se abrem e todos os problemas são deixados pra trás. Clima de celebração, mas dessas do novo milênio, sabe? Ao mesmo tempo que te salva, parece incrivelmente assustadora.

T. À la recherche du temps perdu: vai ouvir o seu The Great Escape! Quando ele foi lançado, nem eu tinha 16 anos, e olha que eu... deixa pra lá.

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Podcast e réplicas por Mari.
Comentários por Thiago.

1. Burt Bacharach - Don't go breaking my heart

T.
Musiquinha acolhedora. Sinto que essa mulher é minha amiga há um tempo. Adoro também a parte em que entra uma melodiazinha no fundo que fica meio autista, dá um clima perfeito de descompasso que o título sugere: não saia quebrando meu coração, não entraremos em sintonia assim. Só não queria que ela acabasse tão rápido. Músicas bonitas sempre podem durar um pouquinho mais.

M. Imagino que essa sua sensação de se conhecerem há algum tempo é, justamente, por essa música soar como uma bossa nova. Praia, areia, fim de tarde e melodia que te leva a indagações bobas, como se todo o problema da sua vida se resumisse a fazer ou não sol no dia seguinte. Alguém quebrar seu coração? Imagina. A causa já está ganha, essa canção foi só um charminho a mais mesmo.

2. Pavement - Billie

T.
Finalmente poderei comentar Pavement. Uma música do meu disco preferido deles: Terror Twilight. Tem uns versos que acho fodas, tipo: "I was tired of the best years of my life". Geralmente as letras do Stephen Malkmus me parecem colagens de frases soltas (dadá?), e eu gosto de pegar um ou dois versos favoritos e ressignificar/compreender a música a partir deles. Eu li um comentário uma vez, acho que na Folha de São Paulo, com o qual tive que concordar: para entender as letras do Pavement, é melhor prestar atenção menos nas palavras do que no modo como elas são ditas. Enfim, paro por aqui, por uma questão de espaço, mas poderia ir mais longe. Pavement apavora, como já foi dito e redito.

M. Pavement apavora, Stephen Malkmus apavora, a letra apavora, o modo como correm todas as velocidades na mesma música apavora, as cordas marcadas no início apavoram e o fato de terem uma música com lalalas apavora muito mais. Ficou com medo, falaí?

3. Supergrass - La song

T.
Gostei da dinâmica da música, das passagens de partes, de uns efeitinhos meio eletrônicos, meio guitarras. Acho que tem o melhor refrão desta seleção. É fácil, grudento - porém, sincero.

M. Supergrass é o tipo de programa que vai ser sempre legal, o tipo de amigo que nunca fura, o tipo de diversão que nunca é demais. Ouviria na vitrola da sala bebendo com bastante gente ou no ipod, indo pro trabalho sozinha. Os Supergrass não marcam hora, mas nunca chegam atrasados.

4.Banana Split - Tra la la song

T.
Eu adorava Banana Split (o programa, não o sorvete) quando era criança. Só posso, portanto, dizer que adoro essa música. Muito muito divertida, muito muito alegre. Outra que poderia ser maior. Aliás, se não me engano, nos anos 90 as ex-menininhas do progama fizeram uma regravação dessa música, um pouco mais rock, com guitarras distorcidas e tal. Era bem legal.

M. Já eu - talvez por nunca ter assistido Banana Split - preferia Ula-Ula (sim, o sorvete). Meu pai até brincava dizendo: "o ula-ula da Mariana não é no abacaxi, é na melancia" e eu achava graça. Quanto à regravação que você disse dos anos 90 com a Liz Phair, foi uma das faixas do cd mais vendido da nossa época: Saturday Morning Cartoon's Greatest Hits, lembra? Tinha até Ramones com Spiderman e Violent Femmes tocando a música tema dos Jetsons. Só optei mesmo pela versão original porquê essa todo mundo já deve ter cansado de ouvir.

5. Primal Scream - Dolls

T.
Uma bela música, apesar de ter uma estrutura de rock bem mais ortodoxa do que a do Pavement - estrofe, refrão, estrofe, refrão, solo, ponte, refrão. Já deve ser dessa fase mais recente e saudosista do Primal Scream que, como já disse, eu gosto, mas acho um passo pra trás na carreira deles. Ainda assim, imprescindível numa festa de lalalas.

M. Rolling Stones moderninhos e um tanto mais eletrônicos - isso é tudo o que me ocorre quando ouço (e danço) essa música. Saudosistas? Pode ser.

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