Podcast e réplicas por Thiago.
Comentários por Mari.
1. Elastica - How He Wrote Elastica Man
M. Essa introdução abafada, com o som lá longe, me causa a mesma sensação de quando passava dias inteiros na piscina e carregava pra fora (mas dentro do ouvido) resquícios de toda aquela água. Mas logo surge a bateria, a guitarra e os efeitos-bichinhos-de-videogame-no-karaokê agindo como a gotinha de álcool que minha mãe pingava pra evaporar a água e me fazer ouvir melhor novamente. Não é que dá barato?
T. Eu, que tive uma infância simples, humilde, discreta até, nunca passei o dia inteiro na piscina. Só no mar. Mas nunca também tive dessas frescuras. Aposto que sua mãe pingava um álcool no seu leitinho também pra parar de chorar. E viva Elastica.
2. Charmless Man - Blur
M. Ao contrário do rapaz descrito na letra, essa música consegue ser bem charmosa. Pianinhos, ritmo empolgante, vocal estendido, uma festa! Fez parte do meu setlist (executado pouquíssimas vezes, diga-se de passagem) durante um tempão. Um dos bons exemplares do Blur.
T. Sim, um dos bons exemplares do Blur (eu não colocaria um dos maus). Eu já ouvi em outros setlists também. Funciona direitinho.
3. The Smiths - The Boy With The Thorn in His side
M. Acho uma delícia a maneira que o Morrisey canta. Tem ritmo de chorinho sem lágrimas, daqueles que só querem um pouquinho de atenção pra sua causa. Tão macio que, se fosse tecido, seria veludo.
T. Eu achava que a música se chamava "The boy with the thorn inside", tipo, o garoto com um espinho dentro de si, não do lado dele. Daí acabou nem fazendo tanto sentido a escolha dessa música, que é boa, mas não se compara a veludo, que é algo bem cafona. Não que o vocalista dos Smiths não tenha algo de cafona.
4. My Morning Jacket - What a Wonderful Man
M. Introdução de desenho animado indie-folk-empolgadinho? Que fofo, Fonseca. E depois vem me dizer que não assiste filmes como Juno pelo auto teor de indienices contidas. Sei.
T. Não assisto mesmo e não gosto também. Aliás, não sei nem se gosto desta música. Escolhi pelo nome - o tema deste episódio são títulos que me descrevem. Pena que tu não percebeu. Ia dar uma conversa mais legal.
5. The Killers - Mr. Brightside
M. Hit do bão, animadíssimo, ótimo para o ponto alto da noite na pista, quando todo mundo já perdeu a compostura e tudo o que fazem é responder aos estímulos das luzes e da música. Cansou um pouco pela frequência tocada, mas valeu cada passinho.
T. Eu lembro de quando tu era fãzaça (ô palavra horrível) dos Killers, e eu perguntei: "O que ele nunca fez, Mari Casalecchi?" - referindo-me ao "i never" do fim da música. E tu me disse que era só uma frase que encaixava bem ali, sem sentido nenhum. Discordo. Esse "eu nunca, eu nunca, eu nunca", vazio, quer dizer alguma coisa, muita coisa. Ele é uma amostra de que os Killers são bem menos toscos que parecem ser - ao contrário, não são nada ingênuos, são compositores espertos - espertos no sentido de "clever", que eu não sei traduzir da maneira adequada.


