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Podcast e réplicas por Mari e Thiago.
Comentários por Raul.

Raul Galhardi, cearense, ex jogador de rpg e atual devorador de livros, acredita no preço universal da mariamole (R$2,00). Largou a faculdade de Direito para estudar jornalismo, filosofia, teatro, violão, fotografia e kung fu. Alma sebosa e ranzinza, vive em eterno conflito entre o existencialismo, o niilismo, o oportunismo. Depois de ler Simone de Beauvoir, terminou de abandonar a esquerda e tenta se convencer que é a encarnação da besta loura nietzscheana. Demorou 8 meses pra comentar 5 músicas. Um carinha pós-moderno.

1. Spoon – The guest list/The execution

R. Gostei. O vocal do cara lembra Bush. Nada mais a acrescentar.

T. Nem lembra Bush, hein? É muito mais solto. E eu teria muito mais a acrescentar, mas todo mundo aqui já sabe que eu adoro Spoon.

M. Já eu, que não acho Spoon tudo isso e não tenho imaginação o suficiente pra colocar o Gavin Rossdale nos vocais dessa música, acrescentaria: ótimas palminhas, assovios simpáticos e paradinhas interessantes. Mais considerações que isso, só se a música fosse um tanto melhor.

2. ...Trail of Dead – Mistakes and regrets

R. Embora eu não goste dessa banda, dessa música eu gostei.

T. Essa música me fez ir a show deles em 2001 no Sesc Belenzinho. Talvez o melhor show da minha vida. Nessa época, eles ainda não tinham estragado a carreira deles com músicas excessivamente nerds. Lembro que eles dedicaram umas músicas ao Red Bull com Vodca, que só vieram a conhecer em São Paulo.

M. Embora não conheça tanto a banda, a música tem estratégias interessantes. Gosto da ordem em que os instrumentos vão se mostrando: baixo, bateria, guitarra. Combinação tão boa quanto red bull com vodca. Os gritos desesperados chegam mais tarde, com as pedrinhas de gelo.

3. Lou Reed – Take a walk on the wild side

R. Essa música me lembra uma garrafa de Jack Daniels, ou um baseado. Não que eu fume ou beba whisky.

T. Eu gosto do tchurururu, que foi sampleado pelo The Go! Team no primeiro disco deles.

M. Sempre fui encantada por essa música. Embora super urbana, não é invasiva. Vai chegando devagar, gostosinha, acompanhada por garotas coloridas. Realmente remete a uma certa embriaguez, àquele olhar nublado de quem bebeu muito whisky e uma leve confusão de fantasia com realidade. Não que eu ouça Lou Reed com muita frequência.

4. Blur – Country house

R. Rapaz... que diabos é isso ?? Paralamas do Sucesso ?? O engraçado é que a música tem um ritmo todo alegrinho, mas quando vc presta atenção na letra vê que não é tão feliz assim...

T. Suas comparações não são das melhores, hein?

M. Esse diabos é Blur, Raul. E o Blur é assim, quase sempre felizinho. Tão felizinhos que são capazes de arriscar uma introdução-desenho-animado pra abrir a casa de campo. Só ficou difícil mesmo imaginar os Paralamas do Sucesso no meio dos cavalos.

5. David Bowie – Ashes to ashes

R. Muito boa! O piano e o barulhinho uêôm...uêôm... muito legal. A letra é ininteligível.

T. É, o instrumental é legal mesmo se você souber dar valor à decadência. Porque essa é a sensação que a música me passa. Apesar de ser do Bowie, essa me diverte.

M. Apesar de ser Bowie? POR ser Bowie, da Fonseca. Faça-me o favor.

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R. Enfim, só não gostei da música do Blur! Blur só tem algumas coisas que prestam... o resto é lixo!

T. Só uns 5 álbuns que prestam, o resto é lixo, é o que você quis dizer?

M. Interessante, Raul. Mas assim...enquanto lixo, como você os classificaria? Metais, vidros, papéis, plásticos ou não-recicláveis?