Podcast e réplicas por Mari.
Comentários por Thiago.
1. Barry Louis Polisar - All I Want is You.
T. Essa pegadinha country não me agrada muito não. Muito caipira. Sem contar que essas metáforas de amor são bem bobinhas - por mais que se diga que esta é a intenção. Até no título tem algo questionável: "Tudo o que eu quero é você" - Será que não tem mais nada que o cara quer? Também acho que um grande amor tem que ser mais específico que esse tipo de música que serve pra qualquer amante em abstrato - e pra nenhum em concreto.
M. Sim, concordo, metáforas bobinhas e título questionável, mas há explicação: Barry Louis Polisar é um tiozão que compõe músicas pra criancinhas, além de escrever livros e poemas infantis. E ele deve querer muito mais coisa do que o título da música sugere, é só dar uma olhada no currículo do cara: são dele as músicas daquele seriado super antigo chamado Vila Sésamo, trabalha com grupos de literatura, especialistas de mídia e professores. Ganhou, inclusive, prêmios por sua habilidade de se comunicar com crianças e estimulá-las a ler mais. Um bom sujeito, e com senso de humor comprovado. Saca só alguns dos títulos do seus CDs: "Stanley Stole My Shoelace and Rubbed it in His Armpit and Other Songs My Parents Won't Let Me Sing" e "My Brother Thinks He's a Banana and other Provocative Songs for Kids".
2. The Moldy Peaches - Anyone Else But You
T. Agora sim! Quer ser fofo, seja intimista, como os Moldy Peaches. Tão intimista que ninguém liga se a música foi feita em casa, gravada no Meu Primeiro Gradiente. E pensar que um dia eu te disse: "Escuta essa banda... não, desencana, tu não vai gostar, é muito tosco".
M. Ainda bem que, como na maioria das vezes, não te dei ouvidos e escutei mesmo assim. Se é pra ser tosco, que sejam os Moldy Peaches.
3. Kimya Dawson - Tire Swing
T. Prefiro sinceramente a Kimya no Moldy Peaches. Aqui acho que falta um charmezinho de coisa rústica, ainda que soe bem despretenciosa.
M. Kimya Dawson é uma gracinha mesmo sozinha e acho que todo o charme de coisa rústica fica por conta da trivialidade de suas letras: " Joey never met a bike that he didn't wanna ride and I never met a Toby that I didn't like". Tem como ser mais bonitinho?
4. Cat Power - Sea of Love
T. Aqui sim um mar de amor digno de um amor de verdade (em contraste com a primeira música). Mas vamos direto ao ponto. Eu amo Cat Power. Você odeia. Você está querendo me pedir algum favor ao sugerir esta música?
M. Tá, você ama Cat Power, foi ao show com a perna quebrada e se sacudiu com ajuda das muletas. E não é que eu odeie, só não consegui entender a razão pra tanto esforço. De todo modo, guarde seu favor para um momento mais propício - tudo o que eu queria com essa música era provar que Cat Power só consegue ser legal de verdade quando canta uma música que não é dela.
5. The Zombies - The Way I Feel Inside
T. À parte da simpatia da voz, quero dizer que gosto muito do orgãozinho de fundo, que dá todo o tom de confissão que a música pretende (e consegue) criar. "Muito dez", como diriam meus pais querendo ironizar as expressões dos jovens de hoje. Lógico que jovens interessantes como nós não usam essas expressões; e por falar em jovens interessantes, você, Mariana Casalecchi, é a exceção à regra de que todas as pessoas interessantes gostam de "A vida marinha com Steve Zissou" (filme de cuja trilha sonora saiu esta música). Lamentável.
M. Não, não, Thiago Fonseca. Todas as pessoas interessantes gostam de "Os Excêntricos Tennenbaums" e "Viagem a Darjeeling" e concordam que, sendo um filme do Wes Anderson, Vida Marinha deixa muito a desejar. Consegue, no máximo, emplacar músicas bonitas como essa que, por sorte, não foram assassinadas pelo repertório-Seu-Jorge.


