Podcast e réplicas por Mari.
Comentários por Thiago.
1. Autoramas - Fale mal de mim
T. Eu lembro de esta ser a primeira música que ouvi deles, em 2.000. Talvez tenha sido a primeira que lançaram. Eu não gosto da letra: acho pedante, apologética pré-adolescente (??). E eu me sinto assim com a maior parte das músicas dos Autoramas. E o mais bizarro é que, apesar de eu não gostar especificamente de nenhuma música, eu curto a banda. Deve ser resquício de Little Quail.
M. Sim, eu também me lembro dessa ser a primeira música deles e também tinha a mesma opinião que você a respeito da banda. Eis que há duas semanas fui ao show dos caras e nunca dancei tanto em toda minha vida (tá, até dancei, mas preserve a emoção). Banda bacana pra se ver no palco, lá pertinho da caixa de som. Roquenrou brasuca, gostosinho e empolgante. Três polegarzinhos para cima.
2. Cachorro Grande - Lunático
T. Os caras tocam bem e conseguiram fazer direitinho o que queriam: uma música a la beatles. Acho que é a Got to get into my life, do Revolver. Eu não tenho nada contra cópias. Mas acho que essa voz estridente desse cara estraga. É ácido demais, não está no ponto certo do psicodélico. E o refrão é bem bobo.
M. Gosto bastante desse vocal desesperadinho e acho que a voz estridente é perfeitamente justificável quando se considera o frequente tom gozador das letras. Só não entendo pq não mudam o cachorro grande pra um médio porte, faria tão mais sentido....Quanto ao psicodelismo não ser mais o mesmo...bem, pra isso me ocorre um diálogo do Trainspotting entre Mark Renton e Diane, sua namoradinha adolescente:
Diane: You're not getting any younger, Mark. The world is changing, music is changing, even drugs are changing. You can't stay in here all day dreaming about heroin and Ziggy Pop.
Renton: It's Iggy Pop.
Diane: Whatever. I mean, the guy's dead anyway.
Renton:I ggy Pop is not dead. He toured last year. Tommy went to see him.
Diane: The point is, you've got to find something new.
3. Júpiter Maçã - Pictures and Paintings
T. Acho que aqui acontece a mesma coisa com a voz ardida. Uma pena, pois a letra é bem bacana. Antigamente, o Júpiter Maçã andava na Moóca. Lá, uma amiga minha da filosofia - Érica Ruiva - o conheceu (como Jupiter Apple) e acabou participando com o peitinho de fora num curta dele: Les Incomunicables. Eu fui na estréia, no MAM-SP. Teve um show dele na seqüência. E minha impressão foi a mesma: muito ardido. E tinha 2 (DOIS!) teclados sintetizadores, o que me irritou demais. Por isso pintei numa camiseta: antimoog. Fazia sentido na época.
M. Por mais que eu me esforce, nunca vou conseguir superar a história dos peitinhos da sua amiga ruiva em algum comentário sobre Jupiter Maçã, mas aproveito o espaço pra ressaltar a idéia anterior: voz ardida+letras engraçadinhas é o que liga. Sacou?
4. Vanguart - Para abrir os olhos
T. Agora sim, muito bom. Música inteligente, simples, bem feita, agradável. Tem algo de Amarante, mas, como disse, não tenho nada contra cópias. É preciso copiar da fonte certa, e copiar bem, dando o afastamento correto. Isso já é um grande mérito. Palmas.
M. Concordo, música inteligente e absurdamente sofisticada, especialmente se considerarmos a faixa etária da rapaziada da banda. Mandam benzasso e têm uma maturidade musical louquíssima. Tá, até lembram Los Hermanos, mas com uma pegada bem mais folk. Ouve os outros sons pra ver só.
5. Mombojó - Desencanto
T. Fluiu bem essa música começando com o fim da outra. Bem legal, também, não tão legal quanto à do Vanguart, mas muito boa. Tem outras qualidades, como ser mais ousada. Só uma certa sensaçãozinha de melodia de voz dos anos 90 ali que me deixaram meio no 8,5.
M. Não sei se a sensação seria tão anos 90 assim, mas Mombojó me parece muito com a maioria das outras bandas legais do Nordeste (sim, as cópias). E com isso não quero dizer que não seja boa, pelo contrário, acho que a melodia dos caras têm uma puta força: guitarrona pesada e essa percussão enlouquecedora, capaz de aguçar todos os sentidos ao mesmo tempo.


