Podcast e réplicas por Mari e Thiago.
Comentários por Sheila.
Sheila Souza, 27 anos é produtora de moda freelancer e animadora free-style da galera. Embora tenha vindo de Presidente Prudente, foi em São Paulo que - por motivos óbvios - adquiriu a alcunha de “caliente e peligrosa”. Não nega baladas, bebidas ou tardes de compras e defende fielmente o direito à preguiça. No mais, está solteira, mora sozinha, gosta de animais de estimação e tem um lado espiritual independente de religiões.
1. Combustible Edison - Vertigogo
S. A princípio não entendi muito bem, parece trilha de vídeo game japonês, mas é ótima! A mistura de sons é interessante e faz a gente dançar mesmo sem querer, nem que for só bater o pé um pouquinho, mas dança de qualquer jeito... Ok, depois daquela balada horrível, que só as coisas mais estranhas aconteceram, essa é a trilha perfeita para rir de tudo e ir pra casa super descontraída sabendo que vai ter muita história pra contar depois, hahahahah amei!!! Vai ser minha música de fim de noite!!!
M. Música fim de noite? Poxa, tinha a separado pra um momento “meninas com humor” em alguma discotecagem que porventura rolasse... tinha, inclusive, imaginado como seria legal estar na pista de dança. Melhor reconsiderar o fato, não? De todo modo, acho bem louco esse lance da vocalista não dizer uma palavra durante a música toda e a voz dela ainda ser tão presente.
T. Eu li que essa música ia concorrer ao Oscar, ou algum troféu desses, e a banda inscreveu um texto que supostamente era a letra dessa música. Não conseguiram enganar a ninguém e foram desclassificados.
2. Otto - Por quê
S. O quê dizer de Otto? Ele é ótimo, tem suingue, mas falta-lhe aula de dicção. A letra gira em torno da mesma coisa, algo do tipo: “To de saco cheio da minha mulher que quer discutir a relação a toda hora, então vou escrever essa música sem pé nem cabeça mas que ela vai achar que sou sensível e que a amo muito.”
Mas, mesmo assim é bonitinha e tem uma levada boa, é pra escutar em momentos de estar na beira de um mar incrível com um pôr de sol de cinema e um abraço gostoso na rede.... Hum, acho que peguei pesado no devaneio, mas tá valendo...hahahaaha. Bem, esse Otto no meio da playlist foi inusitado, mas muito bacana, adoro!
M. É, concordo que o Otto seja um sujeito peculiar, interessante e até consiga segurar bem o ritmo. Mas, antes de aulas de dicção, ele precisaria freqüentar algumas aulas de canto. Porque desafinar é legal, mas tudo tem limite nessa vida. Quanto à letra....bom, ele vai esquentar os pães, seus dedos, até de manhã - quando você abstrai o nonsense da coisa ela passa a ser tão bonitinha...
T. A coisa mais bonita da letra é justamente esquentar os pães. Digo isso porque, nesses tempos de gesso e de depender de carona, meu irmão acorda cedo pra me levar ao trabalho e esquenta os pães pro meu café da manhã enquanto tomo banho. Nada nonsense.
3. Amy Winehouse - You know I'm no good
S. Bem, o que dizer de Amy Winhouse, ela é uma mistura de diva do jazz com sua voz poderosa e ao mesmo tempo tem uma atitude “junkie” muito peculiar, com sua maquiagem retrô de fim de balada e o cabelão incrivelmente pensado pra causar efeito, além daquela aparência de quem está sempre de ressaca, e não é que está mesmo, com certeza, porque toda letra dela tem algo sobre bebida incluída em alguma frase. Bom, falando da música, é demais, me lembra aqueles bares de Cuba que tanto vemos em filmes e tal, com ventiladores toscos, paredes coloridíssimas e velhas, mas, ao mesmo tempo, com um charme que só a peculiaridade de estar parado no tempo esse país tem. Quando ouvi me veio toda a cena na cabeça e já previ o roteiro de um filme, enfim a abertura perfeita de um triller a la “Bond, James Bond”...hahahahahah Desculpe, mas todo mundo tem uma veia blockbuster..... Talvez para melhorar meu comentário, um filme dirigido pelo Tarantino quem sabe....
M. Sim, embora Amy Winehouse tenha virado figurinha fácil no mundinho musical, não economiza mesmo em atitude e visual. Ela bem que poderia se esforçar e ser best friend da Paris Hilton, pelo menos pra ensina-la o que é ser junkie de verdade. Daquelas que dão porrada no namorado em brigas por drogas e deixam qualquer alcoólatra anônimo no chinelo quando tem cerveja na roda. Malandrona, mas com uma voz super sofisticada. Colocaria essa música em alguma cena de “As Panteras” – lindas mulheres, cabelos voando, conversíveis brilhantes. Mas, você sabe, they’re no good .
T. EU fiquei aqui pensando qual a minha veia blockbuster, porque de James Bond eu já passei da idade, e pra As Panteras eu nasci cedo demais. Acabei imaginando a Amy em filmes mais antigos, daqueles de pouca saturação, cinema noir. Acho que é esse clima de Jazz para as massas. Não que eu não goste.
4. The Gossip - Coal to diamonds
S. Essa banda é muito interessante, me parece meio deprê, mas ouvindo bem não é tanto assim, tem uma pegada boa, com baixo marcado e tal, comecei a ouvir e repeti umas várias vezes, talvez tenha a ver com um momento que estou passando, mas isso não vem ao caso hehehehe... Porém, já que falei do baixo, me lembrei de uma conversa que tive com a Maricota um dia desses no bar “Exquisito” (aliás nosso reduto básico quando podemos...) de que a banda White Stripes pode ter toda sua qualidade estética mas aquele som precisa de um baixo, e garanto que isso não é uma opinião isolada, outros concordam comigo, enfim, eles são muito limitados nas cores (alguém dá uma cartela pantone para eles!!! heheheheh) e talvez isso se reflita no som, sei lá.... Mas continuando a falar desses que estão em questão, The Gossip, a voz da vocalista é
M. Isso aí, Sheilamiga, fico feliz que tenha gostado e, especialmente, por ter repetido tantas vezes. Sempre faço o mesmo quando ouço, “talvez tenha a ver com o momento que estou passando”. A vocalista realmente tem um vozeirão, e a atitude bem linha Amy Winehouse versão supersize. Vale a busca por outras coisas, a maioria um tanto mais agitadinha. Mas gostaria de deixar clara minha posição a respeito dos listrinhas brancas: adoro a composição das tres cores e o fato de só se conseguir notar a ausência do baixo por falta de integrante mesmo. Jack White apavora na guitarra até com alguns dedinhos quebrados. Ouié.
T. Agora estou me sentindo meio por fora, pois nunca fui ao Exquisito nem minha vida está passando de carvão pra diamante. Eu escutei um disco inteiro do Gossip, e deletei. Quanto ao White Stripes, odeio. Mas aquelas músicas têm baixo, gravadas em estúdio pelo Jack. Tanto que um cara de uma banda chamada Red Kross (eu acho) se candidatou pra ser baixista deles, gravou uma linhas e tal, e foi ignorado.
5. Billie Holiday - Stormy weather
S. Nossa essa é pra ouvir rezando, ou melhor, essa e todas as divas do Jazz de todos os tempos! Com certeza já fazia parte da minha galeria pessoal e ainda por cima sugiro mais, para acompanhar uma voz dessas, só mesmo um bom vinho, um cigarro amigo e nada mais, deixa apenas rolar, o resto é conseqüência... Nessa onda Jazz, me atrevo a sugerir outras maravilhas: 3 álbuns da Ella Fitzgerald ( Ella & Her Fellas, The best of Ella Fitzgerald e The Jazz Masters), um básico do Miles Davis (The jazz Masters), um Clássico do Frank Sinatra (Night and day) e por aí vai, acho que pra quem se interessar e quiser começar a apreciar Jazz esse é um excelente início.... Bem, não tenho mais nada a dizer, acho que vocês já perceberam que sou apaixonada pelo tema.... Ah, só um adendo, se quiser curtir uma levada mais contemporânea, sugiro Madeleine Peyroux e Jamie Cullum são ótimos.
M. No meu caso foi só um cigarro amigo mesmo, no máximo uma coca-light perdida aqui na mesa. O suficiente pra ouvir a Billie Holliday com sua habitual (e incrivelmente sensível) voz de lamento flutuando pelas notas do piano.
T. Eu fiz a experiência: cigarro, vinho e Billie. Deixei rolar, e a consequência foi que liguei o videogame (inspirado pela leitura da Sheila do Vertigogo). Claro, era a última música da lista e eu não queria ficar pensando na vida.


