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Podcast e réplicas por Mari e Thiago.
Comentários por Pirão.

Paulo Pires (ou Pirão, como é conhecido lá pelos lados de Araraquara) é arquiteto, baterista de duas bandas*, desenhista de garagem e pai da Marina, uma graça de menina. Pira em quadrinhos, Renoir e Frank Zappa e tem uma tatuagem feita por ele mesmo. Embora fale pouco, costuma ser amigável – só não simpatiza com pessoas super perfumadas e bananas de qualquer espécie.

*Mercado de Peixe – http://www.myspace.com/mercadodepeixe
Lavoura Eletro – http://www.myspace.com/lavoura

1.Pavement - 5-4=Unity

P. Achei esse o som mais legal da seleção, rock é foda, tudo em 4x4. Essa música é em 5x4...quando uma banda faz um som diferente bota até no título. Parece Dave Brubeck, deve ser o 5...é legal, e tem um monte de barulhinho, adoro barulhinho.

M. Pavement é fudido, apavora, quebra tudo. Vou gravar uma seleção pra você ver só, vai ficar contentão com tanto barulhinho. Quanto ao 4x4 e ao 5x4....bom, não sei. Só respondo na presença da minha numeróloga.

T. Só não espere muitas outras músicas 5x4 ou instrumentais do Pavement. Porque Pavement é rock, afinal. E rock é foda mesmo. E foda é um adjetivo ambíguo, equívoco até. E Pavement é foda.

2.Phoenix - Too Young

P. Que que é esse som? Nunca ouvi isso, bem easy listening, tipo hit de FM.. o vocal lembra as baladas do Thin Lizzy, parece música para tardes ensolaradas...bem anos 80.

M. É Phoenix, uma banda francesa que ficou mais conhecida depois que essa música tocou em Encontros e Desencontros, da Sofia Coppola. Sim, som facinho, anos 80, mas gostosinho, vai. Não me lembro se entrou em alguma cena de tarde ensolarada...Bem que poderia.

T. Eu diria tarde de chuva, pois parece música de trilha sonora genérica da sessão da tarde – anos 80 e 90. Quando fazia sol, eu tava é na praia.

3.Britney Spears - Toxic

P. Toxic, como o próprio nome deixa transparecer, era o prenúncio da derrocada. Sempre achei que esse lance de Mickey e Pato Donald deixava o peão meio doido. Tinha que ter uma lei com relação ao Disney Channel pra proibir esse tipo de coisa, a próxima é a Hillary (mas não deixem minha filha ouvir isso). Por sinal, tenho uma história interessante com relação a isso: ano passado tinha combinado de ir ao show da Hillary Duff com a Marina (minha filha), mas ela descaradamente furou. (não a Ma, a Hillary), depois de meses de espera fui forçado a trocar os ingressos...por ingressos pro show do Slayer...pena que aí minha fiota não quis ir...O som é até legal se for ver bem...tem uma guitarrinha surf bem simpática, mas acho que é coisa do produtor.

M. Acho que se eu não soubesse que é a Britney Spears cantando, não a imaginaria dançando loucamente com algum figurino bizarro e até conseguiria me divertir on the dancefloor. Mas como ela foi uma peste pop e seria impossível ignorar esse fato, digo que não gosto e pronto. Quanto à Disney, muito bem lembrado. Se eu fosse a Britney, os processaria alegando danos psicológicos eternos e irreversíveis. E, claro, investiria a grana numas perucas melhores.

T. Engraçada ess história que começa na Disney e acaba no Slayer. Eu tenho uma teoria, ou uma hipótese, sei lá. Essa música é meio parecida com uma aí qualquer do Linkin Park. E minha teoria é que New Metal é dance music, sem tirar nem pôr. “New Metal é dance music”, aliás, frase chocante que pronunciei pela primeira vez num debate de bar no domingo de carnaval de 2.005.

4. Planet Hemp - Contexto

P.Putz, eu curtia pra caramba o usuário (bons tempos aqueles em Bauru...fim de tarde... um tubo de acrílico verde muito famoso entre os camaradas...). O Mário Caldato é um puta produtor, mas ele fez os cds do Planet Hemp soarem muito à la Beastie, em solo eu curto o B-negão, acho o Enxugando Gelo o melhor disco solo dos caras da banda. A banda já tava meio nas últimas nesse disco e eu acho que isso transparece no som, não curto muito esse papo de ficar falando de si mesmo, acho meio esquisito, mas rap é assim mesmo... a melhor música dessa época acho que é a quem tem seda...

M. Tá, Planet Hemp até tem umas musicas bacanas, mas Marcelo D2 me dá uma certa preguiça. Deve ser por essa coisa extrovertida mesmo, que o faz falar (e sem usar metáforas) de sua própria vida o tempo todo. Carioquice tem limite, afinal.

T. Concordo com todas essas críticas. Mas aquela parte na música que entre o “É mentiiira....” é animal e memorável. Adoro cinismo.

5. Control Machete - Si Señor

P.Amores brutos é um puta filme, mas depois que eu assisti os outros do Iñarritu comecei a achar que dava pra fazer um filmão de 9 horas juntando os filmes dele...ninguém ia perceber, até a trilha é meio parecida...aqueles violõezinhos quando acontece alguma desgraça...Control Machete é bacana, pena que a galera que curte rap não gosta muito, mas é bem “loco” compreendes, Mendes? Pesadão, baixão e batera...Não ouvi nada de novo deles, mas tem uma musiquinha do Brujeria com eles, Don Quixote Marijuana...o clipe é muito bom, no meio de um monte de cena palosa enquanto um cara faz um cachimbinho de vidro daqueles todos torcidos, coloridinhos.

M. Si señor, amores Brutos é realmente um puta filme. Lembro de qdo assisti pela primeira vez e surtei, revi trocentas vezes, queria me mudar pra Cidade do México (onde eu tava com a cabeça?) e me casar com o Gael Garcia Bernal. Mas depois o Inarritu fez 21 gramas, o Bernal perdeu a graça e resolvi ser claustrofóbica em SP mesmo. E essa musica traduz justamente essa claustrofobia de cidade grande super-poluída: ritmo bem marcado, voz de vilão de desenho animado, cachorros latindo ao fundo...Meu lado malvadão adora.

T. “Si, senõr, amores brutos lalalá”. Tava esperando qualquer comentário só pra começar com isso, né, Mari? Francamente. Nem vou falar nada do resto da réplica pra não ficar muito chato. Lado malvadão.... tsc.