Podcast e réplicas por Thiago.
Comentários por Mari.
1. Screaming Trees - Witness
M. Começo interessante, empolgante, mas com uma voz (ou maneira de cantar) que me lembra muito o Eddie Vedder. E sei lá, embora Pearl Jam tenha feito parte da minha adolescência em Araraquara – e isso em situações normais contaria pontos a favor – amadureci e adquiri um certo bode deles; me parece que foram abduzidos pela década de 90 e não voltaram nunca mais, ficaram caretas. Essa voz super adestrada me cansa um pouco...hesitações e pequenas desafinações resolveriam o problema.
T. Concordo com esse efeito das bandas dos anos 90. Sabe que, quando eu não sabia de onde vinha a palavra grunge, eu achava que tinha algo a ver com ranço. Por similaridade, rancor. E olha esse refrão: "Shine your lonely light on me / I'll be there to hold the mirror / I can take you down with me / Show you're lonely, lonely, loney". Puta rancor bonito.
2. Red Hot Chili Peppers - The Greeting Song
M. Red Hot? Hum...Acho que não me divirto com eles desde One Hot Minute (mas nessa época também me divertia horrores com Big Ones do Aerosmith, só pra vc ter uma idéia). Hoje os considero meio pedantes, sempre a mesma ladainha. Penso nos Chilli Peppers como o equivalente californiano aos seus conterrâneos do Charlie Brown – a malandragem, os gritinhos, o skate-surf na veia. E nada que possa ser facilmente comparado à Charlie Brown Jr merece maiores comentários. Não gosto dá conta.
T. Esta música é anterior ao One Hot Minute, que por sua vez é realmente uma puta experiência musical, uma das mais influentes da minha vida. Não compararia facilmente The Greeting Song, superdançante, com Charlie Brown Jr. O que me faz pensar se tu realmente ouviu a música.
3. Pearl Jam - Glorified G
M. Oh, boy. Eddie Vedder, suas lindas maçãs do rosto e todo esse gogó fazendo um cover malvadão de “she drives me crazy, uh uh”. Eles realmente usam o sampler ou viajei loucamente? Que coisa.
T. Viajou loucamente. Não posso imaginar eles ouvindo Fine Young Cannibals repetidas vezes pra tentar tirar a música.
4. Pavement - Date with Ikea
M. Ouvir Pavement sempre umedece meu coração e, essa sim, é a voz da qual eu falava (despretensiosa, desafinadinha, quase uma conversa). Percebo uma certa fragilidade no som deles, uma insegurança por não saber direito o caminho...Os Pavements não têm vergonha de expor suas incertezas, e eu acho isso tão bonitinho.
T. Até parece. Enfim, talvez isso fique claro nesta música, que não é cantada pelo Stephen Malkmus, pois este cara sabe bem o que quer. Eu vi um DVD deles ao vivo, e o cara é muito bem orientado. Ele briga com os caras da banda durante o show pra tocarem exatamente como ele quer.
5. Superchunk - Hello Hawk
M. Baladinha para momento de pouco acontecimento em uma comédia romântica. Breve edição de eventos cotidianos, cortes suaves, transição gradual, quase imperceptível. Atmosfera esperançosa e aquela alegria calma de quem sabe que tudo vai dar certo no final.
T. Pena que é tudo ficção. E, em ficção, comédia romântica não é meu gênero. Vejamos outro, que me veio à mente logo após ler teu comentário. Em Watchmen (história em quadrinhos), depois de ter matado metade de Nova York num plano pra acabar com a Guerra Fria e, conseqüentemente, unir a humanidade, Ozymandias sente algum remorso do qual quer se livrar:
Ozymandias: Jon, espere. Antes de partir... Eu agi corretamente, não? Deu certo no fim.
Dr. Manhattan: "No fim"? Nada chega ao fim, Adrian. Nada.(1)
[(1) GIBBONS, D. MOORE, A. Watchmen. Nº 12. 1.999: Ed. Abril, São Paulo. P. 29.]


