Podcast e réplicas por Mari e Thiago.
Comentários por Rodrigo.
Rodrigo Brod, publicitário pós-punk, pai pós-11/09, atualmente mora em Lajeado (RS). Nos anos 90, liderou a maior banda grunge de Guarulhos (SP) de todos os tempos, The Jelly Inward. Posteriormente, já agauchado, foi membro da extinta Supervicky, com sua patroa Fernanda nos vocais e com este Thiago Fonseca como baixista honorário, entre outros. Atualmente, divide seu tempo entre a família, sua nova banda LEM! e a agência de publicidade Dobro, onde lhe ocorrem duas piadas infames por semana.
1. Actionslacks - Bury me in the blue sea
R. Não conhecia a banda, nem de nome. Mas gosto de músicas que começam com "dedi-palhetados" de guitarra. "Dudurus" também são simpáticos. Me parece música de início de disco. Tipo balada mais contida de banda que faz um som mais pesado. Ou não. O clima me lembra Soothe do Pisces Scariot, Pumpkins. Tipo, coloca o Billy Corgan cantando que fica parecido. Inclusive, até parece que pede algo assim. Se o andamento fosse mais lento e a voz mais melancólica, teria mais a ver com a letra. No geral, é bem bonita. Gosto do vocal, tem algo de Damien Rice menos "fazido", como dizem por aqui no sul.
T. As deduções foram boas: eles costumam fazer sons mais pesados, mas não muito pesados também. Meio alegre, no geral. Quanto às comparações, vou deixar
com a Mari, já que ela alopra melhor nesse quesito.
M. Também não conhecia a banda, mas a música é realmente uma gracinha. Me lembro de Pavement, e não pela similaridade do som, mas por me despertar as mesmas sensações. Smashing Pumpkins tb entraria nesse clubinho e, definitivamente, concordo com o Rodrigo: a letra suplica pela voz de Billy Corgan.
2. Grandaddy - Elevate myself
R. Banda que me faz lembrar do Thiago, talvez por sempre constar algo de Grandaddy nas coletâneas dele. Legalzinho, sem pretensões, eletro-rock, se é que o rótulo existe. Gosto dos efeitos eletrônicos e tecladinhos chulé. E da bateria (eletrônica, né?) quase tosca. O riff que volta no meio dá impressão que a música tá em loop. As pausas são meio fora de padrão, o que disfarça o "grude" do música. Pega no ouvido, mas é daqueles músicas que pra tocar como cover é brabo, até pegar todas as paradinhas, uia. Ouvir diversas vezes traz surpresas, o que é bom em qualquer música. Gosto. Mas não sei se compro.
T. A maior parte das músicas do Grandaddy cairiam sob esta descrição, não? Acho que é o principal problema deles. Ou era - eles acabaram, não? Acho que este é o principal problema deles agora.
M. Oras bolas meninos, os Grandaddys não têm problemas! Eles moram em uma floresta encantada com a acústica perfeita - onde os animaizinhos podem ser ligados a pedais e terem seus sons distorcidos - com árvores de todos os instrumentos musicais, bolhas como transporte oficial, coisas cremosas para se comer a qualquer hora e suco de gás helio pra deixar a voz fininha. Dizem até que, por lá, você pode escolher que cor quer acordar todos os dias (mas isso não sei se é verdade). De todo modo, já comecei a trabalhar nas minhas estampas.
3. Of Montreal - Heimdalsgate like a Promethean curse
R. Outra que eu nunca tinha ouvido falar. Afetado. Aliás, só pelo nome dá pra ver que seria afetado. Nenhuma banda de macho começa com "Of" alguma coisa. Tem algo de Cure, Smiths, Duran Duran, mas sem, no entanto, realmente parecer com essas bandas. Parece outras coisas que eu não consigo relacionar. Mas parece. Não me soa muito novo. No começo parece mais interessante do que quando engrena. Podia estar na trilha do Trainspotting. Do Canadá não é. Seria da Escócia?
T. É bem afetado. Tem que ver fotos deles nos placos. Coisa Secos e Molhados. Todas as letras deste último disco também têm esses nomes afetados. Inclusive o próprio álbum: "Hissing Fauna, are you the Destroyer", o que me lembra um diálogo de Caça-Fantasmas 1. As letras têm algo de cretino: "I'm in a crisis...", "i spent the winter with my nose buried in a book while trying to restructure my character", "I fell in love with the first cute girl that i met who could appreciate Georges Bataille standing at a Swedish festival discussing 'Story of the Eye'". Mas eu gosto. "Come on, chemicals" me soa como um refrão perfeito, com um riff perfeito.
M. Come on Chemica-a-a-a-a-als é bem bom e, ao contrário do Rodrigo, acho que a música fica mais interessante à medida em que engrena. Sei lá, fico afim pular com a impulsão do Magic Johnson e, já lá encima, explodir em vários mari-pedacinhos! É, pode ser meio afetado mesmo, mas curto a cretinice engraçada das letras...me parece algo que o Woody Allen escreveria quando era adolescente.
4. Sleater-Kinney - Step Aside
R. Yeah baby. Essa mina tem uma coisa de Janis Joplin pós-punk. Yeah baby. Como se isso significasse algo. Haha. Banda que eu devia ir mais atrás pra conhecer mais, porque tudo que eu escuto deles eu gosto. Roque do bom. Lindas guitarras. O naipe de metais é ótimo. Palminhas também. A estrutura é de rock básico, mas o arranjo é criativo. Timbrão de guitarra, vivo. Dançante. Se joga rocker. Muito bom. Nananananananana...
T. Uma grande pesquisa sobre Sleater-Kinney pode ser decepcionante. Eu sei porque eu tenho tudo. Cada coisa é boa, mas no todo é tudo muito parecido entre si, a segunda guitarrinha faz coisas muito iguais. O último disco - The Woods - é super-denso. Difícil. Li em algum lugar que elas se separaram.
M. Essa voz eu-grito-pra-caralho-eu-sou-bem-louca me deixa um pouquinho irritada. A melodia até agrada, mas prefiro não me jogar. Fico aqui de longe dando apoio moral, rola?
5. Illya Kuryaki and The Valderramas - Jennifer del Estero
R. Puso su culo junto a las cerezas. Sonzinho calhorda. Fico imaginando uns caras argentinos numa festa todos com camiseta do Boca Juniors e tomando Quilmes. Daí vem o Diego e grita pro Mancuso: "Pone la musica de la Jennifer mas una vez!" (sic) Gravei essa música numa coletânea pra Fernanda usar nas aulas de espanhol dela (quando ela ainda dava aulas de espanhol). Ela nunca usou, claro. Tinha Molotov, Aterciopelados. Era uma fita cassete, uma boa coletânea de rock em espanhol. Acho que eu que mostrei essa música pro Thiago a long time ago, quando ele ainda usava camisetas do Silverchair e era bem menos encaracolado. Mas pode ser que tenha sido o inverso, quando o grunge não era dead e eu não era dad. Mas é foda. Muito boa.
T. Sonzinho calhorda diz tudo. Realmente, foi o inverso que ocorreu a long time ago. E, com isto, Rodrigo dá conta de seus trocadilhos infames desta semana.
M. Pobre Fernanda, fico só pensando em como ela se justificou - alegando motivos que um homem pudesse compreender - por não ter usado a música que o Rodrigo, super querendo colaborar, gravou pra dar um agito nas suas aulas. Control Machete seria mais razoável.


