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Podcast e mensagens por Mari e Thiago.

1. The Strokes - You only live once
2. The Smashing Pumpkins - Galapogos


T. Este é um episódio atípico: é o meu último. Por isso o formato estranho. Sem contar que não consigo me esquecer das palavras de meu professor de história na formatura do colegial: É dificil não ser solene numa solenidade. Mas vamos lá.

"Não é engraçado como fingimos que ainda somos criança?" - são as primeiras palavras de Billy Corgan. E ainda disse um poeta, cujo nome me escapa: "A vida quando é boa é só brincadeirinha". Foi muito legal fazer o Roupa Suja. Depois de tantos anos ouvindo música, conversando sobre músca, lendo sobre música, foi muito bom mesmo escrever sobre música. Aprendi muito (que piegas) sobre o gosto dos outros, sobre meus próprios critérios.

Nesse sentido, tenho que agradecer a algumas pessoas por esse prazer. Em primeiro lugar, sem dúvida, a Mari, que teve a idéia deste site e a iniciativa de levar em frente, para que não ficassemos somente na idéia. Em segundo lugar, os visitantes que se manifestaram, inclusive os poucos que pude conhecer. E até mesmo os visitantes que não se manifestaram, na medida em que seu silêncio disse muita coisa. Enfim, todo esse diálogo que fez circular esse monte de opiniões, etc etc.

É esse o ponto que mais admiro no Roupa Suja: ele tem uma boa idéia e é realizável. As pessoas vão conversar sobre música. Vão ouvir música. Ora, já está tudo dado, como ninguém fez isso antes? O certo é que nós conseguimos. Ficou foda.

Entretanto, a produção do site ficou muito difícil: montar espisódios, desenhar, pintar, transferir arquivos, acertar html. A vida boa deixou de ser só brincadeirinha para ser trabalhosa. Continua aquele poeta sem nome: "dois meses, dois dias, dois minutos, / acabou a energia - // quem vai empurrar o carrossel para outra volta?". Fazer o Roupa Suja consome bastante, e quem me conhece sabe que tempo não é uma coisa que me sobra, pela quantidade de afazeres que tenho. Então saio enquanto estamos no auge. Acho que ficará melhor para a posteridade.

Se não for forçar a barra, Corgan ainda dirá na música: "É tarde de mais para voltar; meu som está se esgotando". É isso. Acabou mesmo. "Só se vive uma vez", dirão os Strokes.

Por outro lado, a brincadeira de curtir música nunca vai parar. Meu contato está ali do lado (eu sei que a Mari teve mais sucesso no link dela que eu no meu - tipo, 1000 x 1 -, mas tem um link meu ali também!!) e continuarei sempre acessível.

O rei está morto - mas este fantasma sempre puxará o pé da Mari. Sim, o rei está morto. Longa vida ao rei!

EM TEMPO: Esta despedida foi escrita quando eu era informado de que o Roupasuja prosseguiria com um substituto pra mim, um novo rei. Todavia, agora parece que a dinastia se acabou. Praticamente uma Revolução Francesa, remetendo-nos ao nosso segundo episódio. O eterno retorno do mesmo. Enfim, preferi não adulterar o conteúdo da despedida, caso alguém já tivesse lido, e acrescentar a presente ressalva. Parece mais honesto.

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Podcast e réplicas por Thiago.
Comentários por Mari.

1. Elastica - How He Wrote Elastica Man

M. Essa introdução abafada, com o som lá longe, me causa a mesma sensação de quando passava dias inteiros na piscina e carregava pra fora (mas dentro do ouvido) resquícios de toda aquela água. Mas logo surge a bateria, a guitarra e os efeitos-bichinhos-de-videogame-no-karaokê agindo como a gotinha de álcool que minha mãe pingava pra evaporar a água e me fazer ouvir melhor novamente. Não é que dá barato?

T. Eu, que tive uma infância simples, humilde, discreta até, nunca passei o dia inteiro na piscina. Só no mar. Mas nunca também tive dessas frescuras. Aposto que sua mãe pingava um álcool no seu leitinho também pra parar de chorar. E viva Elastica.

2. Charmless Man - Blur

M. Ao contrário do rapaz descrito na letra, essa música consegue ser bem charmosa. Pianinhos, ritmo empolgante, vocal estendido, uma festa! Fez parte do meu setlist (executado pouquíssimas vezes, diga-se de passagem) durante um tempão. Um dos bons exemplares do Blur.

T. Sim, um dos bons exemplares do Blur (eu não colocaria um dos maus). Eu já ouvi em outros setlists também. Funciona direitinho.

3. The Smiths - The Boy With The Thorn in His side

M. Acho uma delícia a maneira que o Morrisey canta. Tem ritmo de chorinho sem lágrimas, daqueles que só querem um pouquinho de atenção pra sua causa. Tão macio que, se fosse tecido, seria veludo.

T. Eu achava que a música se chamava "The boy with the thorn inside", tipo, o garoto com um espinho dentro de si, não do lado dele. Daí acabou nem fazendo tanto sentido a escolha dessa música, que é boa, mas não se compara a veludo, que é algo bem cafona. Não que o vocalista dos Smiths não tenha algo de cafona.

4. My Morning Jacket - What a Wonderful Man

M. Introdução de desenho animado indie-folk-empolgadinho? Que fofo, Fonseca. E depois vem me dizer que não assiste filmes como Juno pelo auto teor de indienices contidas. Sei.

T. Não assisto mesmo e não gosto também. Aliás, não sei nem se gosto desta música. Escolhi pelo nome - o tema deste episódio são títulos que me descrevem. Pena que tu não percebeu. Ia dar uma conversa mais legal.

5. The Killers - Mr. Brightside

M. Hit do bão, animadíssimo, ótimo para o ponto alto da noite na pista, quando todo mundo já perdeu a compostura e tudo o que fazem é responder aos estímulos das luzes e da música. Cansou um pouco pela frequência tocada, mas valeu cada passinho.

T. Eu lembro de quando tu era fãzaça (ô palavra horrível) dos Killers, e eu perguntei: "O que ele nunca fez, Mari Casalecchi?" - referindo-me ao "i never" do fim da música. E tu me disse que era só uma frase que encaixava bem ali, sem sentido nenhum. Discordo. Esse "eu nunca, eu nunca, eu nunca", vazio, quer dizer alguma coisa, muita coisa. Ele é uma amostra de que os Killers são bem menos toscos que parecem ser - ao contrário, não são nada ingênuos, são compositores espertos - espertos no sentido de "clever", que eu não sei traduzir da maneira adequada.

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Podcast e réplicas por Mari e Thiago.
Comentários por Raul.

Raul Galhardi, cearense, ex jogador de rpg e atual devorador de livros, acredita no preço universal da mariamole (R$2,00). Largou a faculdade de Direito para estudar jornalismo, filosofia, teatro, violão, fotografia e kung fu. Alma sebosa e ranzinza, vive em eterno conflito entre o existencialismo, o niilismo, o oportunismo. Depois de ler Simone de Beauvoir, terminou de abandonar a esquerda e tenta se convencer que é a encarnação da besta loura nietzscheana. Demorou 8 meses pra comentar 5 músicas. Um carinha pós-moderno.

1. Spoon – The guest list/The execution

R. Gostei. O vocal do cara lembra Bush. Nada mais a acrescentar.

T. Nem lembra Bush, hein? É muito mais solto. E eu teria muito mais a acrescentar, mas todo mundo aqui já sabe que eu adoro Spoon.

M. Já eu, que não acho Spoon tudo isso e não tenho imaginação o suficiente pra colocar o Gavin Rossdale nos vocais dessa música, acrescentaria: ótimas palminhas, assovios simpáticos e paradinhas interessantes. Mais considerações que isso, só se a música fosse um tanto melhor.

2. ...Trail of Dead – Mistakes and regrets

R. Embora eu não goste dessa banda, dessa música eu gostei.

T. Essa música me fez ir a show deles em 2001 no Sesc Belenzinho. Talvez o melhor show da minha vida. Nessa época, eles ainda não tinham estragado a carreira deles com músicas excessivamente nerds. Lembro que eles dedicaram umas músicas ao Red Bull com Vodca, que só vieram a conhecer em São Paulo.

M. Embora não conheça tanto a banda, a música tem estratégias interessantes. Gosto da ordem em que os instrumentos vão se mostrando: baixo, bateria, guitarra. Combinação tão boa quanto red bull com vodca. Os gritos desesperados chegam mais tarde, com as pedrinhas de gelo.

3. Lou Reed – Take a walk on the wild side

R. Essa música me lembra uma garrafa de Jack Daniels, ou um baseado. Não que eu fume ou beba whisky.

T. Eu gosto do tchurururu, que foi sampleado pelo The Go! Team no primeiro disco deles.

M. Sempre fui encantada por essa música. Embora super urbana, não é invasiva. Vai chegando devagar, gostosinha, acompanhada por garotas coloridas. Realmente remete a uma certa embriaguez, àquele olhar nublado de quem bebeu muito whisky e uma leve confusão de fantasia com realidade. Não que eu ouça Lou Reed com muita frequência.

4. Blur – Country house

R. Rapaz... que diabos é isso ?? Paralamas do Sucesso ?? O engraçado é que a música tem um ritmo todo alegrinho, mas quando vc presta atenção na letra vê que não é tão feliz assim...

T. Suas comparações não são das melhores, hein?

M. Esse diabos é Blur, Raul. E o Blur é assim, quase sempre felizinho. Tão felizinhos que são capazes de arriscar uma introdução-desenho-animado pra abrir a casa de campo. Só ficou difícil mesmo imaginar os Paralamas do Sucesso no meio dos cavalos.

5. David Bowie – Ashes to ashes

R. Muito boa! O piano e o barulhinho uêôm...uêôm... muito legal. A letra é ininteligível.

T. É, o instrumental é legal mesmo se você souber dar valor à decadência. Porque essa é a sensação que a música me passa. Apesar de ser do Bowie, essa me diverte.

M. Apesar de ser Bowie? POR ser Bowie, da Fonseca. Faça-me o favor.

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R. Enfim, só não gostei da música do Blur! Blur só tem algumas coisas que prestam... o resto é lixo!

T. Só uns 5 álbuns que prestam, o resto é lixo, é o que você quis dizer?

M. Interessante, Raul. Mas assim...enquanto lixo, como você os classificaria? Metais, vidros, papéis, plásticos ou não-recicláveis?

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Podcast e réplicas por Mari.
Comentários por Thiago.

1. The Shins - Kissing the lipless

T. Meio sonolenta, não? O timbre de guitarra é bem bonito, mas, tirando isso, a música é de trilha sonora de novela.

M. Tá, a música pode não ser a melhor que você ouviu na vida, mas comparar com trilha sonora de novela é sacanagem da grossa. Na real, conheci essa banda através da Lastfm, como artista similar a Modest Mouse e Clap Your Hands Say Yeah. Claro que eles não foram muito felizes na classificação, mas conhecer não foi de todo mal. Música engraçadinha, guitarra realmente bacana e vocal com gritos demais pra não se manter acordado.

2.Peter Bjorn and John - Big Black Coffin

T.Voz chata que está muito alta perto dos outros instrumentos. Trilha sonora de filmes que só vi dublados na tv a cabo. Daqueles que repetem sem parar. Como esta música: ela se repete sem parar, podia ter acabado com uns 4 minutos a menos.

M. Pra começar, chato é você. Eu gosto bastante desse lamento na introdução e de como os problemas vão deixando de existir no decorrer da música. Claro que eles reaparecem, inevitavelmente, em certo ponto - talvez daí sua reclamaçãozinha a respeito da repetição. Mas a vida é assim, querido Fonseca, você já deveria ter se acostumado.

3. The Jesus and Mary Chain - Some candy talking

T. Esta já é uma música mais acordada que as outras. Ainda assim, ainda é uma música de cama: mas o bom é que soa como uma série de sussurrinhos; se não nos apegarmos no aspecto deprê, dá até pra ouvir como uma música sexy.

M. Não consigo imaginar essa música como deprê, ela me desperta uma sensação tão mais encantada. Tudo parece estar acontecendo na lua, sem nenhuma gravidade e ninguém por perto. Tenho certeza de que por lá, pode-se ouvir esses pandeiros de fadinhas quando tudo mais fica em silêncio.

4. The Violent Femmes - Good feeling

T. Adoro Violent Femmes, só que esta música é muito zzzzzz. Não dá pra acreditar que ela é de uma boa sensação, conforme sugere o título. Que pasa, Mariana? Toma ânimo nessa vida. Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima.

M. Logo se vê que você só prestou atenção no título da música e ignorou todas as outras frases que o Gordon Gano cantou quase chorando, todo tadinho. Poxa, a beleza toda da música está justamente aí, na tentativa desesperada (e já vencida) de manter o "sentimento bom" que, ele sabe, já começou a se desfazer e virar lembrança.

5. Peter Sarstedt - Where do you go to, my lovely?

T. É da trilha do Viagem a Darjeeling, certo? Só por isso, já gosto. Agora te dou licença pra dar a biografia do camarada pra tornar a música muito melhor.

M. Pois muito bem, enfim uma música te agradou. E pra comemorar o fato, embora a idéia inicial não fosse essa, o camarada em questão nasceu em 1942 em uma cidade chamada Delhi, na Índia. É sagitariano, cantor e compositor e teve essa música como seu grande hit nas paradas de sucesso do Reino Unido, em 1969. Santa Wikipédia.

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Podcast e réplicas por Thiago.
Comentários por Mari.

1. Los Campesinos! - You! Me! Dancing!

M. O começo sombrio me lembra bastante alguma música do velvet e, talvez por essa associação, não esperava por toda a empolgação que estava por vir. Mas gostei, a surpresa foi boa. Vontade de dançar enlouquecidamente, olhos fechados, como se ninguém pudesse me ver. As batidas e o corinho completam bem esse clima de festa enquanto a voz, mesmo sem querer, mostra um pouco da sua fragilidade.

T. Que estranho! Quando tu fecha os olhos, ninguém pode te ver? Quando eu fecho os meus, eu não posso ver ninguém. Mas a vontade de dançar enlouquecidamente é real. "Tem algo que nunca vou confessar: é que eu não sei dançar nada" - e é exatamente isso: dançar sem saber, sem que ninguém saiba, mesmo que todos estejam vendo você.

2. Afghan Whigs - Uptown Again

M. De quando em quando você vem com um Afghan Whigs e deve pensar que eu nem percebo. Mas já me liguei nessa batidinha marcada, nesse clima inseguro de tão quente e no vocal inconfundivelmente sexy do Greg Dulli. Vamos pra próxima, vai.

T. Eu sei que você percebe, a idéia a essa. Não pretendo colocar sempre músicas de bandas inéditas: só das que eu gosto bastante. Pena que você vem com seus moralismozinhozinhos censurar minhas músicas sexies. BABEEE!!!!!!!!!!!! You cry too much!!!

3. Kaiser Chiefs - I Predict a Riot

M. Oh boy, Kaiser Chiefs. Lembro que quando ouvi esse som pelas primeiras vezes, achei o máximo. Adorava dançá-lo repetindo o refrão, tudo tão bonitinho e animadinho. Eles previam uma revolução! Mas, como aconteceu com a maioria das bandas dessa época, foram substituídos por outros caras até bem parecidos com eles, com a diferença de serem ainda mais novos. Pobres bandinhas hypes.

T. Foram substituídos por pessoas que querem novidades acima de qualidade. Tipo essas pessoas que dizem "Na época do Kaiser Chiefs, blábláblá". Os caras tão bem acima da "época" deles, pelo menos no primeiro álbum, que não é tão marcado assim como um álbum de 2005 (ou 2006?). Acho que tem bastante vida naquelas músicas, o que é admirável hoje em dia.

4.Clap Your Hands Say Yeah! - Heavy Metal

M. CYHSY tem o vocal choroso mais absurdo e louco da música atual. Mistura folk-eletrônica-desesperada de primeiríssima linha. Fico tão emocionada que me pedir algum comentário coerente e bem formulado sobre a banda, além de ser uma puta covardia, está completamente fora de questão.

T. Eis um comentário coerente e bem formulado:
O vocal. É exatamente esse o ponto todo. O instrumental faz o que tem que fazer: balançar nossos corpos. Mas a voz, ela é de manteiga, ela derrete conforme a pista esquenta. Eu ainda to torcendo (minha expectativa foi frustrada no segundo álbum deles) que eles façam essas ótimas músicas praticamente sem letras, só os murmúrios, com alguma palavra mais ou menos essencial ao longo. Exemplo:
Mmmrmrmrmm red...
mrmrmrmrmr
...mrmrmmmm...
you...mrmrmrmrm....
handkerchief....lovelovelove..."

5. Stephen Malkmus - Pencil Rot

M. Stephen Malkmus apavora mesmo sozinho. E ele tem esse lance de cantar tão despretensiosamente, deixando tantas lacunas entre sua voz e esse monte de coisa que acontece com a melodia, que a música se transforma em um labirinto, daqueles com várias chegadas. Não importa quantas vezes você a ouvir, vai sempre encontrar um caminho que ainda não experimentou.

T. Eu devo ser meio intolerante (verdade), porque o disco novo do Stephen Malkmus me desagradou um pouquinho e eu já tenho dúvidas se ele realmente apavora (mentira). Por isso pus uma música do penúltimo, só pra lavar a alma. E nem vou falar mais nada, pois teu comentário - enfim - foi ótimo.

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